Faz muitos anos que acredito que o ministério apostólico é também para nossos dias, como, também, no decorrer da história da igreja, além, evidentemente dos apóstolos do Novo Testamento. Bem, ali temos os 12 apóstolos escolhidos pelo Senhor Jesus, que são fundamentos da Nova Jerusalém.
“A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.” (Apocalipse 21: 14)
No Novo Testamento, evidentemente, vemos outros apóstolos, além dos 12, especialmente Paulo, o grande missionário para os gentios no Império Romano, além de Barnabé (ver Atos 14: 14), provavelmente Andrônico e Júnias, notáveis entre os apóstolos, conforme Romanos 16: 7. Poderíamos, ainda, citar Apolo que, mesmo não sendo chamado apóstolo no Novo Testamento, certamente tinha um ministério semelhante, poderoso pregador, que visitava as igrejas e era recomendado por Paulo, após ter deste recebido mais alguns fundamentos de fé, principalmente, quanto à obra do Espírito Santo. (ver Atos 18: 14, 19: 1, I Co 1: 12 e 3: 6) Certamente, havia, ainda, diversos apóstolos no tempo do Novo Testamento. Poderíamos até enfatizar, com finalidade didática:
- Jesus é o apóstolo, que quer dizer enviado do Pai,
- os 12 são os apóstolos de Jesus e
- os demais são apóstolos do Espírito Santo, lembrando, por exemplo, Atos 13: 4, quando Barnabé e Paulo, dentre os profetas e mestres da igreja em Antioquia, foram “enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre”, dando início a primeira viagem missionária, a partir de Antioquia. Claro que Paulo tem um lugar de grande destaque, referindo-se, a si mesmo, como um servo “chamado para ser apóstolo de Jesus Cristo.” (I Co 1: 1)
Nos ensinos de Paulo vemos, claramente, que somos, como igreja,
“família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular.” (Efésios 2: 20)
Que fundamento é este? São pessoas, são ensinamentos? Se é fundamento, é de grande importância! Bem, Jesus é a pedra de esquina, a pedra angular da igreja! Ligamos este texto com a declaração de Jesus a Pedro:
“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja.” (Mateus 16: 18)
Que pedra é esta? Seria o próprio Pedro? Conferindo com o contexto do Novo Testamento, melhor seria entender que a pedra é o próprio Cristo, pois, em sua primeira epístola, Pedro mesmo escreveu:
“Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado.” (I Pe 2: 4-6)
Bem, se pensarmos que Jesus, referiu-se a Pedro como pedra, ele é um fundamento na Casa de Deus, bem como os demais apóstolos, especialmente os 12 cujos nomes estão nos fundamentos da Nova Jerusalém! Observamos que Jesus deu autoridade especial a Pedro, uma função de liderança, mesmo entre os apóstolos, como vemos no início do livro de Atos, dando-lhe as chaves do reino dos céus, e o que ele ligasse ou desligasse na terra teria também sido ligado ou desligado no céu. Que autoridade! Isso realmente ocorreu após o Pentecostes, onde Pedro foi o principal porta voz do Evangelho, possibilitando a entrada de muitos judeus e também dos primeiros gentios no Reino de Deus. Mas, evidentemente, Jesus deu também tal autoridade aos demais apóstolos e mesmo para toda a verdadeira igreja, como está em Mateus 18: 18
“Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus.”
Isto traz verdadeira refutação à idéia católico-romana de que Pedro tivesse sido o primeiro Papa, o que não está de acordo com o espírito do Novo Testamento, fraterno, com coleguismo e liderança plural, diversas equipes apostólicas, mas, também, um conselho forte de apóstolos e presbíteros, bem como toda a igreja, como percebemos no chamado “Concílio de Jerusalém” ao deliberar sobre a questão da integração dos gentios na igreja e sua convivência com judeus crentes em Jesus. Podemos até notar, por exemplo, um episódio onde Paulo poder resistir face a face a Pedro, pois, tornara-se repreensível! (Veja Gálatas 2: 11) Sem falar na suposta sucessão apostólica católico-romana até os dias de hoje, não comprovada de forma alguma. Na verdade, Deus é quem levanta seus servos e apóstolos também hoje!
Mas, voltando a questão anterior: quem são os apóstolos e profetas que são fundamento da igreja? Em Atos 2: 42 diz que os primeiros irmãos “perseveravam na doutrina dos apóstolos.” Certamente, são os apóstolos e profetas do Novo Testamento, e também os seus ensinos, já que fala na doutrina dos apóstolos, na qual a igreja deve permanecer. Poderia pensar-se nos profetas do Antigo Testamento, pois, o ministério profético não é tão enfatizado no Novo Testamento, quanto o apostólico. Mas, há claros profetas também no Novo Testamento, como por exemplo Ágabo (Atos 11: 27, 28 e 21: 11) Judas e Silas, “homens notáveis entre os irmãos” (Atos 15: 22) “que eram também profetas, consolaram os irmãos com muitos conselhos e os fortaleceram.” (Atos 15: 32) Certamente, também, Barnabé tinha um forte aspecto profético no seu ministério, pois seu nome dado pelos irmãos significa “filho da consolação” (Atos 4: 36) e também, junto com Paulo estava entre os profetas e mestres de Antioquia. Sua chegada ali causou grande impacto, pois:
“Tendo ele chegado e, vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor.” (Atos 11: 23)
Os apóstolos do Novo Testamento, podemos dizer, muitas vezes, possuem também o ministério profético, ou um profeta pode ser uma companhia poderosa para um apóstolo mais estrategista. Que maravilha! E os profetas estão dentre os cinco ministérios fundamentais do Corpo de Cristo, os quais são para o
“aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Efésios 4: 12),
ou seja, os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres.
E quanto aos apóstolos de hoje e da história da igreja? São em algum aspecto diferentes dos apóstolos do Novo Testamento? Evidentemente, há uma diferença básica: os apóstolos do Novo Testamento escreveram o próprio Novo Testamento, as Escrituras sagradas e inspiradas! Ainda que hoje os apóstolos, bem como profetas, evangelistas, pastores e mestres tenham grande autoridade na igreja, nesta questão não podemos compará-los aos apóstolos do Novo Testamento, mantendo, assim, a autoridade absoluta das Escrituras, o que foi também apregoado pela Reforma Protestante do século XVI. Bem, mantemos, então, como igreja em restauração, a Bíblia, como única regra absoluta de fé, não como a igreja romana que usa concílios, dogmas, tradições e o magistério da igreja em pé de igualdade (pelo menos assim parece) com as Escrituras.
É claro que no estudo das Escrituras, em alguns ou diversos aspectos haverá margem para diversas interpretações, ocasionando também em diversas denominações e ministérios, como vemos em nossos dias, já há vários séculos. Devemos sempre buscar a unidade do Espírito e a unidade da fé, bem como a disposição a um espírito manso e humilde, reconhecendo a autoridade espiritual e a prática da submissão mútua ensinada no Novo Testamento.
É claro que os apóstolos de hoje devem edificar sobre o fundamento que já foi colocado que é Cristo Jesus, como diz Paulo aos coríntios: “Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo.” (I Co 3: 11)
Esta deve continuar sendo nossa principal preocupação e ocupação hoje, como servos do Senhor e edificadores de sua igreja.
Por Luís Henrique Koefender