“Tomando Maria uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa encheu-se do perfume do bálsamo. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de trair, disse: Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos denários e não se deu aos pobres? Dizia isso não porque ele se interessasse pelos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtava o que nela lançavam. Jesus disse: Deixai-a; ela guardou este perfume para o dia da minha sepultura. Pois sempre tereis convosco os pobres, mas a mim nem sempre me tereis. “ João 12:3-8
Ontem eu estava lembrando dessa passagem. Começo a imaginar essa cena. Se fosse eu. Se eu tivesse um perfume assim caro, que valesse o trabalho de quase um ano, digamos hoje 12 mil reais! Eu guardaria esse perfume super escondido, o pouparia para usar nos momentos mais mais mais mais especiais, e talvez chegasse ao fim da minha vida e ele estaria praticamente inteirinho guardado.
Não é qualquer um que investe tanto dinheiro num perfume. Mas Maria, de alguma forma, o possuía. Quem sabe fosse seu bem pessoal de maior valor.
Aí, ela pega esse bem e derrama (ela não poupou!) nos PÉS de Jesus. Eram pés, pés cansados, calejados de tanto caminhar, quem sabe sujos. Doze mil reais nos pés de Jesus, em alguns minutos. Depois disso, o perfume não existiria mais.
Exagero. Foi o que Judas pensou. Desperdício. E eu, o que pensaria?
Jesus entendeu aquela demonstração de amor, recebeu a oferta, se agradou daquele sacrifício.
Como eu dou pouco para o meu Senhor! Minhas demonstrações de amor andam tão fajutas! É tão fácil dar o resto do meu tempo, dar o que é de pouco valor para mim, o que me é conveniente. Eu posso o louvar nas reuniões, falar de Jesus quando alguém me pede pra falar, orar na correria, quase dormindo, ler um salmo antes de dormir porque não tive tempo de parar, buscar ao Senhor e ter meu momento com Ele, ouvir sua voz, sentir a presença dele. Tem como me render um pedacinho?
Onde está minha disposição para quebrar meus bens preciosos, meu perfume caro, que eu amo tanto, que guardo com tantas chaves, minhas provas, minha faculdade, meus relacionamentos, meus compromissos que eu julgo tão importantes, meu dinheiro? Meu sono, meu conforto, minha rotina, meus planos.
Maria entendeu algo que eu preciso entender, amou a Cristo de uma forma que eu quero aprender a amar. Aos olhos do mundo era ridículo usar um perfume daqueles em pés. Mas para ela não foi, e para Jesus não foi. Ela mostrou que seu amor pelo Senhor não era mensurável em escalas humanas de como demonstrar amor.
Os Judas por aí, o mundo, ou até os irmãos-judas (que não sejamos desses) vão dizer que é desperdício: perda de tempo. O que, abrir mão de uma carreira, para servir a Deus? Que loucura. Sirva a Deus nas horas vagas, é suficiente. Sair pelas ruas para proclamar? Pra que? Ofertar? Coisa do velho testamento. Buscar ao Senhor? Estou atarefada demais. Que horror.
Que aquilo que mais valorizamos, aprendamos a quebrar aos pés de Jesus. Ao darmos algo ao Senhor, ele enxerga aquilo que Judas não enxergou, o coração.
Como aquela mulher, que derramou perfume nobre aos teus pés, Jesus, eu quero ser.
Por Sara Elisa Koefender
