Os fariseus foram longe demais no trato com Jesus. Chegaram a cometer um pecado para o qual não poderia mais haver perdão. Foram longe demais, endureceram-se demais, atribuíram a Satanás as obras de Deus, afirmavam, querendo influenciar o povo, que os feitos de Jesus eram através de Belzebu e não pelo Espírito de Deus. O quanto doeu isto no coração do Senhor! Que blasfêmia, para a qual não haveria perdão! Na verdade tinham inveja de Cristo, percebiam o poder de Deus, ou poderiam ter percebido, mas não quiseram, apertaram Jesus, perseguiram-no até o fim.
Quanto a Jesus, amava os milagres e suas obras que atestavam que Ele era o Filho de Deus, o Ungido, o Salvador do mundo! Entre um discurso e outro, caminhando, ensinando, operava milagres nas ruas, nas casas, por onde passava. O povo se admirava. Era para glorificar a Deus. Mas, os fariseus murmuravam contra Cristo. E o Senhor lhes conhecia os pensamentos, por vezes argumentava, tendo o objetivo de desfazer sofismas, falsos argumentos contra Deus, sua vontade e sua obra. Outras vezes se calava.
“Ao retirarem-se eles, foi-lhe trazido um mudo endemoninhado. E, expelido o demônio, falou o mudo; e as multidões se admiravam, dizendo: Jamais se viu tal coisa em Israel! Mas os fariseus murmuravam: Pelo maioral dos demônios é que expele os demônios.” (Mateus 9: 32-34)
“O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor. Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?” (Mateus 10: 24 e 25)
“Então, lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e a ver. E toda a multidão se admirava e dizia: É este, porventura, o Filho de Davi? Mas os fariseus, ouvindo isto murmuravam: Este não expele demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios.” (Mateus 12: 22-24)
Bem, percebemos, nestas narrativas diversos grupos de pessoas:
1 – As multidões – Estavam admiradas das grande obras praticadas por Jesus, procurando entender se Ele era mesmo o Filho de Deus.
2 – Os fariseus – líderes religiosos que murmuraram e blasfemaram contra Cristo.
3 – Os discípulos – a quem Jesus disse que não estavam acima do Mestre e poderiam esperar semelhante perseguição.
E como Jesus demonstra alegria quanto a este grupo, seus filhinhos na fé! Dá a eles instruções poderosas, conselhos, conforto e ânimo e exclama, em meio a repreensões e julgamentos previstos para cidades e pessoas impenitentes.
“Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.” (Mateus 11: 25-26)
Os discípulos os “bem-aventurados que não acham em mim motivo de tropeço” (Mateus 11: 6), como Jesus mandou dizer a João Batista na prisão, a fim de fortalecer a sua fé. Os discípulos alegram-se em Cristo e Cristo se alegra com eles. Jesus é tudo para eles e eles são tudo para Jesus!
E quanto ao caráter de Cristo, Ele mesmo diz: “Sou manso e humilde de coração” (Mateus 11: 28) E continua a narrativa de Mateus: “Retirando-se, porém, os fariseus, conspiravam contra ele, sobre como lhe tirariam a vida. Mas Jesus, sabendo disto, afastou-se dali. Muitos o seguiram, e a todos ele curou, advertindo-lhes, porém, que o não expusessem à publicidade, para se cumprir o que foi dito por intermédio do profeta Isaías:
Eis aqui o meu servo, que escolhi,
o meu amado, em quem aminha alma se compraz.
Farei repousar sobre ele o meu Espírito,
e ele anunciará juízo aos gentios.
Não contenderá, nem gritará,
nem alguém ouvirá nas praças a sua voz.
Não esmagará a cana quebrada,
nem apagará a torcida que fumega,
até que faça vencedor o juízo.
E, no seu nome, esperarão os gentios” (Mateus 12: 14: 21)
Que caráter maravilhoso a ser seguido, imitado!
Manso, humilde, discreto, servo, amado, que traz alegria para o Pai, cheio do Espírito, pregador da justiça, não contencioso, nem gritalhão, sem jogar balde de água fria onde há uma faísca de fé, sem acabar com a esperança dos enfraquecidos, persistente.
“E, no seu nome, esperarão os gentios.” (Mateus 12: 21) Os gentios são todas as nações, não pertencentes ao povo de Israel, mais um grupo percebido nos Evangelhos. Eles estavam se abrindo para Deus e dentre eles o Senhor formaria um povo para si, pois mandou que fossem feitos discípulos das nações (gentios) (Mates 28: 18-20), ainda que estrategicamente ordenou que o Evangelho fosse anunciado antes de preferência às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mateus 10: 5-6).
Por Luís Henrique Koefender